Vai faltar água em Salto? Pois é, isso depende de um novo olhar sobre a questão

O abastecimento de √°gua bruta de Salto hoje √© finito. Se não aumentarmos essa oferta com novos mananciais, vai faltar √°gua.

Vai faltar água em Salto? Pois é, isso depende de um novo olhar sobre a questão

A produção de √°gua tratada em Salto beira os 350 litros por segundo. Chegam nas duas estações de tratamento de √°gua existentes perto de 430 litros por segundo. Mas h√° perdas no tratamento. Isso significa que se coloca na rede de distribuição da cidade cerca de 1.260 m3 de √°gua trada por hora, o que equivale a perto de 30,24 milhões de litros de √°gua por dia. Em um m√™s com 30 dias, esse valor chega a 907 milhões de litros. A Assessoria de Imprensa do SAAE Salto informou que em média são faturados mensalmente cerca de 681,1 milhões de litros. Dessa forma existe uma perda próxima a 230 milhões de litros, ou seja perto de 25% do volume de √°gua tratado.

Se ainda considerarmos que na grande maioria dos prédios p√ļblicos (exemplo: Escolas municipais e estaduais, biblioteca, Teatro Verdi, secretaria de Obras, outras secretarias, Praça XV, Pavilhão das Artes, Cl√≠nicas de Sa√ļde, memorial do Tiet√™, campo do Cridão, outros campos e praças) não h√° hidrômetros e nem cobrança da √°gua utilizada, chegaremos a uma perda próxima a 20%, o que é um valor aceit√°vel mundialmente.

O QUE ESSAS CONTAS SIGNIFICAM?

Significa que com um valor aceit√°vel perto dos 750 milhões de litros de √°gua tratada que abastecemos a rede de distribuição mensalmente, abastecer√≠amos uma população m√°xima de 150 mil habitantes. Levando-se em conta que cada pessoa gasta - em média 160 litros de √°gua tratada por dia. Aqui j√° h√° uma generosidade nos n√ļmeros, pois a média de consumo de √°gua tratada no Brasil é de 180 litros por pessoa por dia.

Como os atuais mananciais - ribeirão Pira√≠ e Ribeirão Buru - apresentam uma vazão média constante e dessa vazão são bombeados cerca de 430 litros por segundo para as duas estações de tratamento de √°gua (Pira√≠ e João Jabour) e também considerando não h√° novos mananciais sendo pesquisados, chegaremos a uma CONCLUSÃO ÓBVIA que mesmo com todo o investimento feito para diminuir as perdas de √°gua tratada, mesmo com construção de novos reservatórios, mesmo com projetos de novas estações de tratamento de √°gua, se a cidade crescer além dos 150 mil habitantes VAI FALTAR ÁGUA TRATADA.

E O PORQU√ä DESSA CONCLUSÃO?

Porque o abastecimento de √°gua bruta da cidade é finito, ou seja não ir√° aumentar se não houver a descoberta de outros mananciais. Mesmo com a construção da nova represa do Pira√≠ isso não ir√° mudar, porque a represa funcionar√° como uma reserva de √°gua bruta, mas ela continuar√° sendo abastecida com a mesma vazão que o ribeirão Pira√≠ apresenta hoje. Se acaso aumentarmos a retirada de √°gua da futura represa após ela completamente cheia, seu volume certamente diminuir√° consideravelmente. H√° um engodo generalizado que a nova represa do Pira√≠ ser√° a salvação, como se √°gua fosse brotar l√° dentro por milagre. Pura ilusão. Em hidr√°ulica não h√° milagres. Se crescermos além dos 150 mil habitantes, sem a descoberta de novos mananciais, VAI FALTAR ÁGUA TRATADA.

Nessa reflexão não consideramos a utilização das √°guas do Rio Jundia√≠, pois ainda é não uma solução economicamente vi√°vel para a cidade em utiliz√°-la. Tanto isso é verdade que existia um projeto de sua utilização, que foi pausado e arquivado mesmo com a verba aprovada e dispon√≠vel na Caixa Federal. Assim sendo, o verdadeiro investimento no Saneamento B√°sico deveria ser direcionado para a prospecção de novos mananciais. Se não houver, o Rio Jundia√≠ é a √ļnica esperança.

Nos √ļltimos anos, Indaiatuba fez isso com propriedade e Itu também o fez, por isso ambas estão mais tranquilas nesse sentido. Ficar olhando para o umbigo não é e nunca foi a melhor solução.

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CLAUDINEY BRAVO foi gerente de projetos na área de hidráulica da Jaakko Pöyry Engenharia por 12 anos.