ALERTA À POPULAÇÃO: Favor economizar água e energia

Após último período chuvoso ter sido o mais seco em 91 anos e com estiagem à frente, a hora é de esforço coletivo.

ALERTA À POPULAÇÃO: Favor economizar água e energia

Depois de uma estação que já havia sido decepcionante em termos de chuva, as poucas águas de março fecharam o verão deste ano e deixaram uma grande preocupação. Afinal, é preciso um bom índice de precipitações no verão para que as represas possam ficar abastecidas o suficiente para enfrentar o período de estiagem. Em seguida o outono chegou trazendo sua característica secura em todo o Brasil. Mesmo as previsões de chuvas fortes, como as que eram esperadas em Salto no último final de semana, não se confirmaram. A combinação desses fatores faz acender o sinal de alerta na questão do abastecimento de água e também de energia.

Não é para menos. Na semana passada, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico havia emitido um alerta de "risco hídrico", mostrando que a situação geral já era preocupante. A decisão abriu caminho para o que se viu nesta terça-feira, 1º: a Agência Nacional de Águas declarou situação crítica de escassez dos recursos hídricos na região hidrográfica que abrange parte de cinco estados brasileiros (Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo). Com essa decisão, a agência poderá tomar medidas para tentar evitar um racionamento de energia até outubro, período de poucas chuvas e de seca mais severa nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Entre elas estão aplicar condições transitórias para a operação de reservatórios ou sistemas hídricos específicos, inclusive com a possibilidade de alterar temporariamente definições em outorgas de direito de uso de recursos hídricos.


Traduzindo tudo isso, a Agência Nacional de Águas pode determinar, entre várias coisas, a redução da vazão dos reservatórios de hidrelétricas, como acaba de fazer nos rios Tocantins (Serra da Mesa), rio Pardo (em Caconde) e no rio Paraná (em Porto Primavera e Jupiá). A agência também anunciou a criação de um grupo técnico de assessoramento para acompanhar a situação da região hidrográfica do Paraná, que contará com a participação dos órgãos gestores dos recursos hídricos dos estados abrangidos.

Diante dessas definições, a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica decidiu criar um "gabinete de situação" para monitorar as condições do sistema elétrico nacional em 2021 e 2022 e propor medidas no sentido de evitar a escassez de energia no Brasil. O grupo vai se reunir semanalmente e sempre que for convocado. As principais funções serão monitorar a situação do sistema elétrico; apoiar a implementação das medidas no âmbito do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico e avaliar ações que possam ser tomadas pela Aneel para garantir o fornecimento. Toda essa situação se dá, claro, pelo baixo volume de chuvas dos últimos meses. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico, o último período chuvoso, que acabou em abril deste ano, foi o mais seco nos últimos 91 anos. Em maio, o problema continuou a persistir.

O volume de chuvas foi ainda menor que o normal para o período e infelizmente deve se agravar nos próximos meses. Com isso, o nível dos reservatórios das principais hidrelétricas do País está baixo, e o governo precisa acionar mais usinas termelétricas a fim de garantir o fornecimento de energia. Segundo especialistas do setor, a declaração de alerta hídrico é uma boa medida para tentar evitar racionamento, mas há risco real de cortes no fornecimento de energia entre setembro e outubro, já que as chuvas só devem normalizar a partir de novembro. Portanto, é hora de começarmos - se ainda não tivermos feito isso - a economizar água e energia. É hora de se precaver para não termos falta de água e racionamento de energia neste ano.

A GRAVE SITUAÇÃO DE SALTO


Na Estação de Captação de Água Bruta do ribeirão Piray, os níveis estão abaixo do esperado desde início do mês de maio. Há um problema de infiltração na barragem que estará sendo resolvido no próximos dias. A equipe do SAAE fez uma vistoria aérea utilizando drones para verificar a real situação do ribeirão (acima da barragem) no sentido de verificar o uso indevido ou ainda desvio de água. Não foi encontrado nada do tipo. O que compromete é o grande assoreamento da área de armazenamento de água bruta, ou seja, o lago formado está muito raso. Quanto mais profundo for o lago, maior o volume de água armazenada. Havia uma programação de se colocar uma draga para aprofundar o leito do lago, mas o nível está tão baixo que isso não é possível. Foi feita uma batemetria no lago para saber o nível de assoreamento. O problema maior é a interferência humana, principalmente pelo loteamento clandestino instalado numa área pertencente à Indaiatuba que, a cada chuva forte contribui com muita terra à represa. Essa terra sedimenta no fundo do lago e seu volume diminui ainda mais.


Um pouco mais acima da represa do Piray, existem as cavas (após a extração de minérios locais, cuja profundidade da cava atingiu um lençol freático que abasteceu-a de água bruta) de uma mineradora abandonada cujo volume é bastante considerável. Isso é uma reserva estratégica do SAAE, que já está através de bombas, abastecendo o ribeirão Piray. O controle de vazão dessas cavas é feito pelo SAAE Indaiatuba, já que eles só podem captar a água bruta do ribeirão após a captação feita pelo SAAE Salto. Assim, se o volume da represa diminuir muito, a captação pelo SAAE Indaiatuba fica sem água.


No lado oposto da cidade, fica a Estação de Captação de Água João Jabour, onde já foi feito o desassoreamento da represa, utilizando equipamentos mecânicos de braço longo. O resultado foi satisfatório e no momento, o SAAE Salto está fazendo um mapeando de represas e pequenas lagoas que ficam ribeirão acima, com o intuito em caso de necessidade, possuir alternativas para o bombeamento. Contatamos então o superintendente do SAAE Salto, Ernivan Balieiro, sobre essa grave situação e, sempre solicito, ele nos posicionou: "Independente das ações que tomamos para amenizar, já é notório que teremos um sistema de abastecimento comprometido e um plano de racionamento será apresentado em breve. A população precisa ter consciência do uso correto d"água e, se possível, investir em sistemas próprios de armazenagem como caixas d"água. A situação é preocupante."

Confira no Vídeo todo o levantamento feito pelo SAAE Salto na bacia do Ribeirão Piray: