Doria anuncia aulas de inglês a partir do 1º ano sem definir se contratará professores

Um levantamento dfeito pela Folha de S.Paulo identificou que a maior diferen√ßa de desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino M√©dio) entre alunos de escola p√ļblica e privada ocorre na prova de ingl√™s.

Doria anuncia aulas de inglês a partir do 1º ano sem definir se contratará professores

O ensino de ingl√™s no Brasil só é obrigatório a partir do 6¬ļ ano. A gest√£o de Jo√£o Doria decidiu que vai passar a oferecer a disciplina a todos os cerca de 600 mil alunos do 1¬ļ ao 5¬ļ ano, como forma de ajud√°-los a desenvolver habilidades socio-emocionais. Apesar do an√ļncio, a Secretaria Estadual de Educa√ß√£o de S√£o Paulo disse ainda n√£o ter definido qual ser√° a carga hor√°ria das aulas de ingl√™s para os alunos. Também n√£o definiu como ser√£o ministradas essas aulas, se ser√£o conduzidas pelos professores de sala (o polivalente, que ensina todas as disciplinas) ou por docentes contratados especificamente para as aulas do idioma. Historicamente o pa√≠s enfrenta a aus√™ncia de professores com forma√ß√£o adequada para lecionar ingl√™s. Dados do Ministério da Educa√ß√£o mostram que mais da metade dos docentes de l√≠ngua estrangeira n√£o tem forma√ß√£o na √°rea.

Caetano Siqueira, da Coordenadoria Pedagógica da SEESP, reconhece que a forma√ß√£o dos professores de ingl√™s "é um desafio para a oferta da disciplina nos anos iniciais". Mas, diz ele, "n√£o podemos nos limitar por esse desafio". No in√≠cio do ano passado, a gest√£o Doria j√° havia reconhecido o problema na forma√ß√£o dos professores de ingl√™s da rede estadual. Na época, foi lan√ßado um projeto piloto, com apoio da iniciativa privada, para tra√ßar um diagnóstico do n√≠vel de profici√™ncia do idioma entre os cerca de 18 mil docentes da disciplina. Além da dificuldade de ter professores com forma√ß√£o adequada para a disciplina, a pasta também ter√° de lidar com os preju√≠zos de aprendizagem dos alunos por causa da pandemia e do tempo que passaram afastados da sala de aula.

Segundo Siqueira, a avalia√ß√£o é de que a inclus√£o de novos componentes curriculares pode ajudar os estudantes a desenvolver habilidades consideradas essenciais e, assim, recuperar os conte√ļdos perdidos. "Sabemos que a pandemia causou um buraco de aprendizado muito grande, principalmente para essa etapa em que as crian√ßas s√£o menores e t√™m menos autonomia para acompanhar o ensino remoto. Recuperar a aprendizagem é a nossa prioridade, mas n√£o podemos deixar de olhar para o futuro".

Um levantamento dfeito pela Folha de S.Paulo identificou que a maior diferen√ßa de desempenho no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) entre alunos de escola p√ļblica e privada ocorre na prova de ingl√™s. Embora a disciplina n√£o seja obrigatória nos primeiros anos do ensino fundamental, a maioria das escolas privadas h√° anos j√° ministra a l√≠ngua estrangeira nessas séries. Segundo a secretaria, a inclus√£o da disciplina para o 1¬ļ ano a partir de 2022 só ser√° obrigatória nas escolas estaduais. As aulas de ingl√™s nessa etapa fazem parte do programa Inova, anunciado pela secretaria em 2019. A partir do próximo ano, os alunos dessas séries também passar√£o a ter as disciplinas de projeto de conviv√™ncia e tecnologia e inova√ß√£o. Escolas com turmas dos anos iniciais do fundamental também poder√£o a partir de 2022 aderir ao programa de educa√ß√£o em tempo integral. O aumento de vagas nessa modalidade era uma das principais promessas de campanha de Doria para a √°rea e foi acelerada para conter os preju√≠zos educacionais provocados pela pandemia.