O Sonho nosso de cada dia...

Essa irresistível e tentadora iguaria chegou bem no início do século XX, em São Paulo, na década de 1920.

O Sonho nosso de cada dia...

Os sonhos sempre intrigaram o homem. Para os povos antigos era a chave do conhecimento espiritual, onde seriam reveladas passagens secretas para fatos do passado, presente e futuro. Em psicologia, a análise do sonho é utilizada como ferramenta para o terapeuta. Sigmund Freud definiu o estudo do SONHO e a interpretação do mesmo como "a estrada mestra para alcançar o conhecimento". Certa vez, li que SONHO é "o passeio noturno da alma". De acordo com o dicionário Aurélio Buarque de Holanda; SONHO é um conjunto de idéias e imagens que se apresentam ao espírito durante o sono; utopia; fantasia ou biscoito de farinha de trigo e ovos, frito em óleo e passado no açúcar.

Neste último conceito, Aurélio Buarque de Holanda se refere à deliciosa iguaria das padarias desse imenso Brasil. E para ter esse SONHO, é só imaginar um bolinho redondo, frito e muito fofo, recheado com creme. Agora, melhor do que sonhar é ir até a padaria mais próxima, admirar a beleza dos doces e saboreá-los com um pouco de história. Comida é memória afetiva e apreciar essas maravilhas ocasionalmente com certeza faz com que boas recordações venham à tona. Para os mais idosos, isso lembra suas infâncias. Um dos doces mais queridos do Brasil nasceu em meio à guerra. A origem desse SONHO deu-se em 1756, quando a Prússia estava para ser invadida.

Frederico, o Grande, recrutou, então, todas as pessoas disponíveis para proteger Berlim. Uma dessas pessoas era um ajudante de padeiro. Sem muito talento bélico, o rapaz era responsável pelas balas dos canhões. Não deu certo, foi afastado e dispensado do batalhão voltando para sua padaria. Literalmente revoltado, em vez de colocar as massas fermentadas que criava no forno, resolveu fritar uma das bolas que produziu. Nascia ali o SONHO, batizado como Berliner, em referência a Berlim. Logo, se espalhou pelo mundo, tornando-se uma unanimidade gastronômica.

Chamado de Bismarck no Canadá; Sufganiyah em Israel; Berliner ou Pffacuchen, na Alemanha; Bola de Berlim, em Portugal; na Itália, é conhecido como krapfen e no Tirol Meridional, como bomba ou bombolone. Nos Estados Unidos, ganhou um furo no meio e virou o famoso Donut. Chegando ao Brasil, foi carinhosamente apelidado como SONHO. Por aqui, ganhou diferentes recheios. Enquanto na Alemanha é normalmente recheado com frutas vermelhas, o sonho brasileiro tem aquele tradicional recheio de baunilha. Mas, como todo bom brasileiro - o céu não é o limite - os recheios escolhidos são inúmeros. Depende apenas da criatividade do padeiro. Mas nada comparado ao Sonho tradicional.

Chegando ao Brasil

No Brasil, como hoje é conhecido, essa irresistível e tentadora iguaria chegou bem no início do século XX, em São Paulo, na década de 1920. Os padeiros aproveitavam as sobras das massas dos pães para fazer a iguaria. Os bolinhos ganhavam então uma forma arredondada e depois eram fritos. Para complementar a guloseima, recheados com um creme feito artesanalmente com leite, gemas, açúcar, farinha de trigo, manteiga e essência de baunilha e sempre polvilhada com uma levíssima camada de açúcar de confeiteiro. E essa é a origem do sonho conhecido atualmente e que está em quase todas as padarias de todo o Brasil.

Aqui em Salto...


Quase todas as padarias da cidade oferecem sonhos, cada uma com suas receitas, mas Sonho Clássico daqueles feitos artesanalmente, só conheço um. Sol Barbosa, padeira de mão cheia da Sol Pães Artesanais, disse ao TERRATAVRES que "um sonho clássico tem que ser frito. A massa dve ser delicada e produzida com manteiga. Leva creme totalmente artesanal feito com gemas, leite e baunilha de verdade. Margarina nem pensar." Para experimentar o SONHO DA SOL é só fazer sua encomenda pelo whatsApp 11 96068.5443 ou pelo link http://bit.ly/solpaesartesanais.

No mais, é só esperar chegarem e degustá-los sem nenhuma culpa, esses bons sonhos...