O sumiço de alguns vereadores em Salto: Uma comédia sem graça

Alguns vereadores não se têm notícia desde meados de dezembro de 2023

Fonte: Ricardo Welbert

Fonte: Ricardo Welbert

Parece que os representantes públicos resolveram inovar no conceito de "trabalho legislativo", proporcionando à população um espetáculo digno de comédia (sem graça, claro).

O recesso parlamentar, aquele período onde a câmara fica mais vazia que um show de artistas desconhecidos, já é uma tradição anual. Afinal, é preciso descansar da árdua tarefa de... bem, não sabemos exatamente do quê. Mas quem se importa com detalhes quando se tem 45 dias de folga e salários pingando na conta?

A novidade da vez é a proposta de alguns vereadores - Balseiros, Kiel, Macaia, Sandro Palhaço e o Presidente Edival Preto - que querem acrescentar mais 30 dias de recesso em julho. Porque, vamos combinar, 45 dias é muito pouco para um descanso merecido, não é mesmo? Dizem por aí que estão estudando a possibilidade de trocar o nome da câmara para "Clube do Descanso Saltense". Quem sabe?

Enquanto a cidade enfrenta seus desafios, alguns vereadores parecem ter adotado a tática do "modo invisível" durante o recesso. Afinal, quem precisa de representação política quando se pode simplesmente sumir? Parece que o script deles é mais uma peça de teatro do que um trabalho sério em prol da população.

A ironia atinge níveis estratosféricos quando lembramos que esses mesmos vereadores usam a tribuna da câmara para fazer discursos inflamados em defesa do cidadão. Durante o recesso, no entanto, parece que o cidadão pode muito bem se virar sozinho. Quem precisa de demandas atendidas quando se pode ter um silêncio político ensurdecedor?

A pergunta que não quer calar é: por que disputar uma eleição e se tornar vereador se a principal atuação é no campeonato de "Quem some mais durante o recesso"? Talvez a resposta esteja na magia do cargo, na habilidade de desaparecer sem deixar rastro, como se fossem vereadores ninja, especialistas em sumiço político.

E para completar o espetáculo circense, temos casos surreais de vereadores que, mesmo eleitos na oposição, arrumam cargos de confiança na prefeitura. É ou não é uma verdadeira salada mista política? Quem diria que a política saltense seria tão cheia de surpresas e reviravoltas, dignas de um roteiro de novela mexicana.

Em ano eleitoral, a população está sendo desafiada a fazer escolhas mais criteriosas. Afinal, votar por amizade já não parece ser uma opção tão atrativa quando se percebe que alguns representantes preferem brincar de esconde-esconde em vez de trabalhar. A comédia política em Salto está em cartaz, e a plateia, claro, espera por um desfecho menos cômico e mais comprometido com a cidade. Que venham os aplausos (ou as vaias)!