Abastecimento de água em Salto não pode depender apenas das chuvas

Alternativas com baixos custos e impactos ambientais devem ser prioridade para os gestores da água na cidade.

Abastecimento de água em Salto não pode depender apenas das chuvas

O mês com a maior volume de chuvas em Salto, no ano passado, foi janeiro, com 284mm de chuvas geralmente torrenciais, seguido por dezembro, com 246,6mm de precipitação pluviométrica. O mês com menor volume de chuvas foi julho, quando choveu apenas num único dia 4,2 mm. Esses são dados coletados pelo posto pluviométrico do SAAE Salto, instalado na ETA Bela Vista, que registrou ao longo de 2022 um total de 1.135,6mm de volume de chuvas na cidade.

Apesar de mostrar índices anteriores aos patamar anteriores a 2021 (ano em que choveu apenas 771,3mm e considerado o pior ano de chuvas nos últimos 100 anos), o levantamento mostra um desequilíbrio das chuvas ao longo de 2022, o que tem causado instabilidade nos níveis dos mananciais que fornecem água bruta para o consumo da cidade. Entre os meses de abril e agosto, em 150 dias choveu apenas 102,8 milímetros, um índice extremamente baixo. E a cidade não pode ficar à mercê de períodos de chuvas.

Infelizmente, a Estância Turística de Salto ainda não possui um represamento (açudes e represas), o que permitiria armazenar a água bruta para serem usadas em períodos de estiagem, toda água dos meses mais chuvosos é totalmente desperdiçada. A Barragem do Piraí com um volume projetado de 9,7 bilhões de litros de água bruta, teve o edital de construção publicado no dia 30 de novembro de 2022 e beneficiará não só Salto, mas também Itu, Indaiatuba e Cabreúva, depois do lago formado e cheio. Mas tudo isso ainda é somente papel. Além de se uma obra que - se não houver nenhum impecilho - só ficará pronta daqui a seis anos.

Alternativas mais urgentes são necessárias ao menos serem pensadas à médio prazo. Uma delas seria a reversão do córrego Hilário Ferrari para o Ribeirão Buru. Um pequeno represamento de captação feito com gabiões alimentaria um sistema de bombeamento seguro para o Ribeirão Buru. Uma solução de fácil implantação com baixo custo e aceitável impacto ambiental. O investimento seria na casa dos R$ 6 milhões de reais, menos de 1% do orçamento público da prefeitura e essa alternativa, se implantada, certamente adicionaria 20 litros por segundo, o que equivaleria a 25% a mais da captação do Ribeirão Buru.

Isso somado ao volume a ser represado no açude em recuperação da Fazenda São João, seria uma reserva estratégica a mais para a Estação de Captação do João Jabour.

Além disso, ainda poderia ser feita a transposição das águas excedentes dos Lagos da Fazenda Vesúvio, hoje totalmente desperdiçadas no córrego do Ajudante e posteriormente no rio Tietê. Uma transposição de 700 metros, que poderia ser até por gravidade, ao córrego que abastece os lagos do Condomínio Zuleica Jabour e posteriormente o Ribeirão Buru. Mais uma alternativa com custo e impacto ambiental baixos. E ainda à médio prazo, teríamos a represa a ser formada no Museu da Água, também no Ribeirão Buru.


Do outro lado da cidade, na bacia do ribeirão Piraí, temos as cavas da antiga empresa de mineração, que são uma ótima alternativa para abastecimento estratégico da Estação de Captação do Piraí. Situadas em território saltense, essas cavas quando cheias acabam por ter aparência de uma lagoa comum, mas devido a sua grande profundidade armazenam uma grande quantidade de água bruta.


Como tudo ainda está no papel, ficar apenas esperando a próxima estiagem chegar não é uma alternativa aceitável. Como diz Içami Tiba: "Nenhum projeto é viável se não começa a construir-se desde já: o futuro será o que começamos a fazer dele no presente".