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CĂąncer: as inovações na prevenção e no tratamento que melhoram chances de pacientes

Não Ă© mais um mĂ©dico sĂł que define o tratamento hoje. Essa decisão deverĂĄ ser compartilhada e discutida com o paciente.

Por Wellington Caposi em 08/01/2023 às 18:06:36

Se hĂĄ alguns anos as possibilidades para tratar o cĂąncer se resumiam à quimioterapia e à radioterapia, essas técnicas - que destroem células cancerĂ­genas, mas também danificam células saudĂĄveis - estão cada vez mais sendo substituĂ­das por opções com menor toxicidade e mais focadas em caracterĂ­sticas especĂ­ficas de cada paciente.

"Opções de terapias cada vez mais personalizadas fazem com que o cĂąncer se aproxime cada vez mais de se tornar uma doença considerada crônica, com benefĂ­cios efetivos à qualidade de vida de pessoas com diagnóstico da doença", afirma o oncologista Bruno Ferrari, fundador e CEO do Grupo OncoclĂ­nicas.

Na avaliação do especialista, o futuro do tratamento da doença é promissor, e permitirĂĄ que cada vez mais pessoas tenham opções terapĂȘuticas com menos efeitos colaterais e prognósticos mais animadores.

AnĂĄlise genômica é a base para individualização

O avanço dos estudos envolvendo o genoma humano, além do código genético presente nas células tumorais e de forma Ășnica em cada indivĂ­duo, fez com que nos Ășltimos anos a anĂĄlise dos genes se tornasse parte indispensĂĄvel dessa ĂĄrea da medicina.

O médico José ClĂĄudio Casali da Rocha, chefe de oncogenética do A. C. Camargo Cancer Center, explica que os estudos da genética focados em cĂąncer se dividem em prevenção e tratamento, diagnóstico e acompanhamento.

"A primeira (anĂĄlise) é chamada de germinativa, e é feita no DNA da própria pessoa. O objetivo é definir caracterĂ­sticas dos indivĂ­duos, detectar uma possĂ­vel sensibilidade maior de determinados genes a mutações cancerĂ­genas e também marcadores genéticos, por exemplo. JĂĄ a chamada somĂĄtica é uma anĂĄlise da genômica do tumor, feita para avaliar o comportamento biológico das células dele e entender, entre outros fatores, qual é a chance dele se espalhar."

Esses estudos genômicos, de acordo com Casali, exigem que se criem consensos de tratamento entre diferentes especialistas. "Não é mais um médico só que define o tratamento hoje. Essa decisão é compartilhada e discutida com o paciente."

Imunoterapia potencializa as defesas do corpo

O tratamento é feito com substĂąncias que foram desenvolvidas para identificar e atacar caracterĂ­sticas especĂ­ficas das células cancerosas, bloqueando o crescimento do tumor e permitindo que o organismo do paciente recupere as condições para derrotĂĄ-lo. A descoberta da Imunoterapia foi o que rendeu aos imunologistas Tasuku Honjo, japonĂȘs, e James Allison, americano, o PrĂȘmio Nobel de Fisiologia e Medicina de 2018.

Os testes com esses medicamentos tĂȘm mostrado resultados positivos para cĂąnceres como o de mama, de ovĂĄrio, de pulmão, de cabeça e pescoço, de bexiga, melanoma, entre outros. As terapias que usam a imunoterapia também se revelam cada vez mais eficazes, e são uma boa notĂ­cia para os próximos anos - a expectativa é de que a técnica se torne mais popular em termos de conhecimento e aplicação, além de mais barata.

No Sistema Único de SaĂșde (SUS), a primeira imunoterapia disponĂ­vel gratuitamente para os brasileiros foi aprovada em 2020, beneficiando pacientes com melanoma avançado. Embora jĂĄ existam muitas opções de tratamento, nosso sistema pĂșblico de saĂșde ainda esbarra em entraves por questões financeiras.

Fonte: BBC News Brasil

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