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Por que a subvariante BQ.1 Ă© mais transmissĂ­vel?

A alta de novos casos da Covid-19 nas Ășltimas duas semanas, faz subir diariamente o nĂșmero de novos casos confirmados da doença.

Por Wellington Caposi em 17/11/2022 às 08:43:51

Em 3 de novembro - ou seja, hĂĄ 11 dias -, a positividade estava em 1,1%. E antes disso, em setembro/outubro, esse Ă­ndice esteve por seis semanas seguidas abaixo de 0,5%. Para se ter ideia da aceleração da doença atualmente, a taxa de positividade geral para a Covid-19 estĂĄ na casa de 30% nos testes de amostras enviadas pelos hospitais de referĂȘncia, unidades sentinela e também de exames aleatórios dos centros de testagem. Entre os motivos, um se destaca: a circulação de novas subvariantes do coronavĂ­rus, como a BQ.1 e a XBB.

A pergunta que muitos fazem, especialmente os que estão com todas as doses de vacina em dia, estĂĄ relacionada à eficĂĄcia dos imunizantes. Existem pessoas que tomaram trĂȘs ou quatro doses e, ainda assim, foram infectados nesta onda atual de Covid-19.

A explicação é que, sem sombra de dĂșvidas, as vacinas que todos nós recebemos (independentemente do tipo e do tempo) são, sim, eficazes. Mas tem um detalhe importante a ser destacado: as subvariantes da Omicron são mais evasivas da resposta imune induzida pelas vacinas e pela própria doença. Ou seja, essas cepas se espalham com facilidade mesmo entre imunizados e pessoas que foram infectadas previamente pelo coronavĂ­rus, em ondas anteriores da pandemia. O motivo tem relação com a função do vĂ­rus, de evoluir para conseguir circular cada vez mais - e de forma mais rĂĄpida. Isso justifica por que novas variantes ou subvariantes são mais transmissĂ­veis e tĂȘm mais escape da vacina. Trata-se de uma consequĂȘncia das mutações na chamada "proteĂ­na spike" apresentada pelas subvariantes. É por isso que elas entram nas células com mais facilidade.

"Quatro meses depois da Ășltima dose da vacina contra covid-19, a imunidade contra a infecção é reduzida e não impedirĂĄ o adoecimento", diz o médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações.

A boa notĂ­cia é que, segundo Eduardo Jorge, contra as formas graves da doença e internamentos, a vacinação prévia permanece protetora, exceto em um pequeno percentual de pessoas. O médico classifica o atual momento que vivemos da pandemia como um "surto anunciado", pois muito se chamou a atenção de que viverĂ­amos um aumento de casos de Covid-19 decorrente da disseminação dessas novas subvariantes. Dessa maneira, para reduzir o impacto de um possĂ­vel aumento de hospitalizações e mortes por covid-19, é fundamental e urgente incrementar taxas de vacinação, principalmente em relação a diferentes doses de reforço, que se encontram todas em nĂ­veis ainda insatisfatórios nos pĂșblicos-alvo.

"Quem ainda não tomou a terceira ou quarta dose e é elegĂ­vel para a vacina deve urgentemente completar seu esquema com a vacina de plataforma que estiver disponĂ­vel. Além disso, precisamos cobrar de forma persistente vacinas em quantidade suficiente para uma quarta dose nas pessoas com menos de 40 anos, além da terceira dose para crianças de 5 a 11 anos", finaliza o médico Eduardo Jorge.

A confirmação da circulação dessas novas subvariantes da Omicron reforça a importĂąncia da manutenção dos cuidados e do avanço da vacinação contra a doença.

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