Rodrigo Garcia exalta Rio Pinheiros limpo, no entanto poluição do rio Tietê sobe 43%

Despoluição do rio Pinheiros - na capital - contrasta com a poluição jogada no mais importante rio do interior do estado.

Rodrigo Garcia exalta Rio Pinheiros limpo, no entanto poluição do rio Tietê sobe 43%

Segundo estudo da Fundação SOS Mata Atlântica, a mancha de poluição no rio cresceu 43%, enquanto que a proporção de água com boa qualidade caiu pela metade em comparação com 2021. O rio Pinheiros é hoje uma vitrine eleitoral. No início de setembro, o governador Rodrigo Garcia - que tenta a reeleição para o governo do estado - prometeu despoluir o rio Tietê em seis anos, objetivo não cumprido pelos antecessores e seus correligionários. Aqui em Salto ele tinha falado em oito anos num Tietê limpo e para orgulho dos paulistas. Já em São Paulo, Rodrigo disse pretender replicar no rio mais famoso do estado o que foi feito no projeto Novo Rio Pinheiros.

"Minha proposta é que a gente possa avançar em quatro anos no projeto de renascimento do Tietê", prometeu ele. "Vamos pactuar para que em seis anos o rio Tietê possa ser novamente o orgulho para a Grande São Paulo".

Segundo ele, o governo assinará ainda neste mês o contrato do programa Renasce Tietê, com financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), "que investirá R$ 500 milhões em ações no Rio" para recuperação de nascentes, reflorestamento de 36 hectares de vegetação e matas ciliares, ampliação de tecnologias de monitoramento das águas do rio, desassoreamento nos principais afluentes, além de capacitação para "programas de empoderamento social" ao longo do Tietê. Um valor irrisório para o tamanho e importância do Rio Tietê.

Especialistas, no entanto, dizem que despoluir um rio como o Tietê é extremamente difícil porque não basta apenas limpar a água que está lá, mas sim deixar de sujá-lo, o que envolve diferentes instâncias de governo - principalmente a estadual e a dos municípios por onde o rio passa - e ainda requer a colaboração da população envolvida.

Para exemplificar, basta citar cita o exemplo de Guarulhos, cidade da Grande São Paulo com 1,5 milhão de habitantes, como um caso mal resolvido. Contemplada pelas águas do mais tradicional rio paulista, ela também é considerada a grande vilã de sua poluição. Em 2017, o município tratava apenas 2% do esgoto que produzia; resultado da falta de investimentos ao longo de décadas. Numa previsão bastante otimista mostra que até 2023, Guarulhos deve chegar a 40% de esgoto tratado. Ainda assim, 60% do esgoto produzido diariamente será direcionado "in natura" diariamente para o rio Tietê. Traduzindo esse número para habitantes, teríamos cerca de 1 milhão deles produzindo esgoto diariamente e despejando no rio. Esse é apenas o exemplo de uma das cidades da Grande São Paulo. E não é só ela que poluí o Rio Tietê.

Assim, infelizmente, não há como acreditar nas promessas do candidato Rodrigo Garcia. São vazias demais. Por mais boa vontade que ele transmita, será impossível cumprir um prazo de seis ou oito anos para deixar o rio limpo. Além dessa infeliz promessa, desassorear as represas de Edgar de Souza e da PCH Pirapora que hoje estão com milhões de metros cúbicos de lodo orgânico tóxico sedimentado em seus fundos vai exigir um investimento astronômico.

Só depois de analisar com coerência e honestidade é que qualquer um dos candidatos ao governo do estado poderá prometer e começar a sonhar com um rio Tietê mais limpo e piscoso. E deixar de fazer promessas infelizes e utópicas.