O Jornalismo é um negócio e políticos deveriam aceitar este fato

Quando o leitor compra ou acessa algum conteúdo, ele faz uma escolha e a notícia não é e nunca foi gratuita.

O Jornalismo é um negócio e políticos deveriam aceitar este fato

Toda profissão carece de amor, paixão, vontade e outros inúmeros sentimentos para que possa ser exigida com primor e satisfação. O jornalismo não foge à regra. Não somos uma exceção. Conteúdo de alta qualidade, bem apurado, com alguém que assina e se responsabiliza pela veracidade do que é noticiado é o negócio do Jornalismo. E, se uma empresa e um profissional respondem pelo que publicam, esse "cercadinho", precisa ser pago.

A mídia tradicional está tendo um trabalhão tentando se adaptar à era digital. Leitores - e anunciantes - desertaram em massa. As editoras têm visto suas receitas despencarem enquanto agregadores online saqueiam quantidades colossais de conteúdos protegidos por direitos autorais. Os jornalistas - aqueles que ainda têm emprego - estão em concorrência contra todo mundo para serem os primeiros a darem notícias de última hora. Eles não mais decidem qual é a maior história do dia. A notícia que viraliza é, muitas vezes, produzida por usuários das mídias sociais.

Na última sessão o vereador Kiel Damasceno usou seu precioso tempo na tribuna para "cobrar" da imprensa a divulgação de uma emenda que ele conseguiu junto ao deputado federal Vitor Lippi. A cobrança veio em meio a pré-campanha do vereador para a Assembleia Legislativa e também apontou outros temas. Notícia ou publicidade eleitoreira? Não publicamos. "Mas poxa, são R$ 500 mil reais para o hospital, o dinheiro está no caixa da prefeitura", então desta forma os pacientes que diariamente nos procuram para relatar queixas na área de saúde serão beneficiados, nossa escolha então é de denunciar para que - quem sabe - outros R$ 500 mil reais cheguem à cidade.

Vale destacar que assim que Kiel Damasceno foi eleito como vereador, o TERRATAVARES tentou entrevistá-lo por várias vezes e sequer tivemos resposta. Segundo ponto é a bendita cobrança de "isto deveria ser publicado". Como uma empresa que é, um veículo de imprensa é quem define e decide o quê e como será publicado. Nem sempre a escolha agrada, mas é uma escolha, da mesma forma que o vereador no exercício do seu trabalho faz as suas escolhas para criticar ou elogiar quem quer que seja.

Apesar das possibilidades de transgressão, a linha editorial do veículo de comunicação costuma ser sempre seguida. O jornalista se conforma com as normas editoriais, que passam a ser mais importantes do que as crenças individuais. A autonomia dos jornalistas é "consentida", ou seja, ela só pode ser exercida se estiver de acordo com os preceitos da empresa.

O TERRATAVARES ouviu recentemente de outra alta autoridade da cidade que "deveríamos publicar boas notícias". Nosso portal desde o princípio fez uma escolha editorial de, por exemplo, não publicar temas policiais e de esportes, já que como empresa temos a liberdade de direcionar o conteúdo para o que nossa estratégia e editoria determina. Mas falando das notícias boas, dentro do eixo de nossa atuação, quase sempre tem nas suas entrelinhas, um cunho de publicidade do político envolvido.

Ainda falando das "boas notícias", desde o início do governo Laerte Sonsin Jr., o TERRATAVARES cobra uma melhor comunicação junto com a imprensa local. A cobrança foi inclusive acompanhada por outros veículos de comunicação da cidade. Hoje, por exemplo, notícias postadas no site da prefeitura não podem ser copiadas, para uso de informação. Ou ainda, o fato vai primeiro para as redes sociais do executivo, as vezes para perfis pessoais dos envolvidos e somente no dia seguinte chega para a imprensa. Esta situação mostra um total desrespeito ao trabalho da imprensa, mas na sequência essa mesma imprensa é cobrada por não divulgar o que "eles" querem. O TERRATAVARES tem uma postura investigativa de fatos políticos e em nossa curta existência já tratamos de temas relevantes ao município. Incomodamos. Sim, sabemos disso, E vamos incomodar ainda mais.

Retornando ao tema central, de que o Jornalismo é um negócio, os jornais de Salto que fecharam, por exemplo, não foi por falta de amor, mas sim por falta de dinheiro. Hoje para um comércio local, entre realizar um anúncio junto a um veículo de imprensa e as redes sociais, 90% faz a opção pelas redes sociais. Novamente, uma escolha.

Os vereadores por exemplo, que em razão das sessões acabam tendo mais contato com a imprensa, diversas vezes não acessam o TERRATAVARES, não nos lendo, nos cobram e após cobrar, recebem o link de notícia em seu whatsapps. Isso mostra que estamos ali, mesmo as vezes sendo ignorado por alguns deles.

Durante muito tempo, houve muito dinheiro público financiando a imprensa municipal e como cantava Lilico "Tempo bom não volta mais, saudades de outros tempos iguais...". O TERRATAVARES segue sua missão, feito por apenas duas pessoas, que mês a mês tiram recursos próprios para que a notícia chegue aos leitores antes do final de semana, não importa o dia e a hora.