Polícia faz buscas em condomínio de luxo em Salto

Segundo a polícia, a acusada anulava infrações no sistema do Detran e mora num condomínio de luxo na cidade.

Polícia faz buscas em condomínio de luxo em Salto

A Polícia Civil cumpre mandado de busca e apreensão na casa de uma mulher acusada de chefiar quadrilha que cancelava multas do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). A residência fica em um condomínio de luxo em Salto, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS). A Operação, denominada Mulcta, é deflagrada desde a madrugada desta quinta-feira, 23, pela pela 1ª Delegacia Seccional de São Paulo, em conjunto com a Central Especial de Repressão e a Crimes e Ocorrências Diversas (1ª Cerco), e conta com o apoio do Detran. Outras sete ordens judiciais são cumpridas na capital paulista e em mais quatro cidades do interior e do litoral do Estado. Ninguém foi preso. Somente em um ano, o esquema causou prejuízo de R$ 180 milhões de reais aos cofres públicos estaduais.

No imóvel da investigada, foram apreendidos documentos, que vão passar por perícia. Ela, contudo, não estava no local, pois, segundo a polícia, fugiu na quarta-feira (22). Cômodos revirados indicavam possível saída às pressas. Agora, as equipes tentam localizá-la. Segundo o delegado Fabio Daré, da 1ª Cerco, a acusada comandava diversos despachantes envolvidos no esquema. "Ela é a pessoa que faz essa organização toda. É a pessoa que orquestra, organiza, dá a função para cada funcionário dela", afirma. Ainda conforme ele, a quadrilha atuava em todo o Estado de São Paulo.

As fraudes consistiam na suspensão de multas registradas no sistema do Detran. Primeiramente, funcionários dos despachantes procuravam informações sobre condutores com infrações - como contatos e número das placas dos veículos - e lhes ofereciam a retirada dos valores da autuações. Depois, a mulher acessava a rede do órgão estadual e fazia o cancelamento, mediante pagamento. "Se (o veículo) tinha R$ 10 mil de multa, ela pedia 20% desse valor e cancelava o resto", diz Daré.

De acordo com o delegado, a acusada tinha todas as informações necessárias para entrar no sistema, incluindo as senhas. Além disso, possuía conhecimento aprofundado sobre como utilizá-lo. "Por ser despachante, ela tinha esse nohall do funcionamento interno do Detran. Ela sabia exatamente onde tinha que ir para cancelar essas multas", fala Daré. O responsável pelas investigações cita que a organização criminosa agia há bastante tempo, mas ainda não se sabe o período exato. O total de infrações anuladas e o valor obtido pelo bando também são apurados. Apesar de ainda não haver quantidades exatas, segundo Daré, os números são altos. Para se ter uma ideia, somente em um ano, a quadrilha movimentou aproximadamente R$ 180 milhões. "Em um dia, eles movimentaram (anularam multas) cerca de 580 carros. Cerca de R$ 800 mil reais de prejuízo para o Detran em um dia", exemplifica o delegado. Ele informa que todos esses veículos já foram bloqueados.

OUTROS MANDADOS

Além de Salto, a polícia cumpre outros dois mandados de busca e apreensão na capital, dois em Itanhaém, um em Peruíbe - ambos municípios do litoral de São Paulo - um em Campinas e um em Capivari, no interior do estado de São Paulo. Todos os alvos nessas cidades são despachantes.

AS INVESTIGAÇÕES

As investigações começaram há quatro meses, a partir da prisão em flagrante de uma funcionária da acusada. Segundo Daré, na ocasião, a mulher tentava subornar um funcionário do Detran para conseguir senhas da rede. Durante a apuração, a Polícia Civil conseguiu identificar a chefe da quadrilha e o endereço dela. Também coletou provas da participação dela no esquema. Assim, pediu a Justiça a expedição dos mandados, e a solicitação foi deferida, dando origem à ação desta quinta-feira, 23. Agora, será aberto inquérito parar apurar o caso.

Os policiais querem encontrar e ouvir a principal responsável pelas fraudes ainda nesta quinta-feira (23). Se condenada, ela vai responder por formação de organização criminosa, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas de informações. As penas para esses crimes variam de dois a 12 anos de prisão.

Já os próximos passos, conforme Daré, são identificar os demais integrantes do bando - funcionários dos despachantes e trabalhadores diretos da investigada. As equipes ainda buscam levantar as identidades dos condutores beneficiados pelas fraudes. Outro objetivo é verificar se colaboradores do Detran também participavam do esquema.