Tecnologia com uso de DNA para detectar câncer de colo do útero é usado na Saúde pública de Indaiatuba

A cidade é pioneira no uso exclusivo do método para fazer o rastreamento da doença na América Latina, que antecipa diagnóstico da doença em dez anos.

Tecnologia com uso de DNA para detectar câncer de colo do útero é usado na Saúde pública de Indaiatuba

O município de Indaiatuba adotou uma forma inovadora de prevenção ao câncer de colo do útero. Em parceria com a Unicamp e a farmacêutica Roche, o tradicional exame de Papanicolaou foi substituído na rede pública de saúde pelo DNA-HPV, um teste mais sensível que rastreia o vírus a partir do DNA da paciente, sendo capaz de se detectar de maneira automatizada as cepas que causam o câncer com 10 anos de antecedência. A cidade é pioneira no uso exclusivo do método para fazer o rastreamento da doença na América Latina.

"Nosso objetivo é acabar com o câncer de colo de útero no município em um futuro não tão distante", comentou o vice-prefeito Túlio Tomass. Os exames começaram em 2017 e até março de 2020 cerca de 16,3 mil mulheres realizaram o exame de DNA-HPV no município e 21 receberam o diagnóstico positivo para o câncer cervical, destas 67% se encontravam em estágio inicial da doença. Com o Papanicolau, apenas 12 pacientes foram detectadas com o câncer e apenas uma em estágio inicial entre 2014 e 2017. A idade média de detecção positiva também se mostrou discrepante, com o DNA-HPV foi de 39,6 anos, enquanto no Papanicolau houve uma média mais elevada, com mulheres de 49,3 anos.

O exame se mostrou mais eficaz em apontar as lesões pré-câncer, alterações que evoluem lentamente ao longo dos anos antes de se tornarem células cancerígenas, transformando o tratamento mais simples e com grande sucesso de cura. "Se detectada a lesão pré-câncer, a paciente tem 100% de chances de cura. Além disso, nesta etapa, o tratamento é simples, menos mutilador e mais barato", aponta o líder do estudo, Dr. Júlio César Teixeira, docente do Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas.

Ainda de acordo com Júlio César Teixeira, o exame é parte importante do sistema de prevenção e combate, mas precisa funcionar em conjunto com uma boa gestão de dados dos pacientes. "Não há um controle de quem faz o exame na rede pública, é preciso interligar os sistemas. Muitas vezes uma mulher vai fora da idade ou da janela de exame e faz, enquanto quase dois terços das mulheres que poderão desenvolver o câncer estão fora do sistema".

Além de mais eficiente, o exame de DNA-HPV também é mais barato e a longo prazo aumenta a qualidade de vida das pacientes. A Roche aponta que com o diagnóstico antecipado, os custos para o tratamento no SUS serão menores, uma vez que envolvem a utilização de tratamentos menos avançados. Atualmente, o teste tem valor de referência em 30 dólares, cerca de 165 reais, enquanto o Papanicolau custa 70 reais, mas a expectativa é de que em larga escala o valor do exame irá diminuir.

Causador de diversas doenças, incluindo o câncer do colo do útero, o HPV é sexualmente transmissível e pode ser evitado a partir de algumas ações: o uso de preservativos durante o ato sexual é fundamental e a vacinação de meninos e meninas entre 9 a 14 anos, realizada pelo SUS desde 2014, são os dois pilares de prevenção.