A COMPLICADA GESTÃO DE UM HOSPITAL MUNICIPAL por Claudiney Bravo

A negligência da necessidade de informatização hospitalar, a falta de padronização nos processos e insistentes falhas de comunicação são apenas alguns dos erros de gestão que impactam diretamente na produtividade do corpo clínico.

A COMPLICADA GESTÃO DE UM HOSPITAL MUNICIPAL por Claudiney Bravo

A gestão de um hospital como o "Nossa Senhora do Monte Serrat", aqui em Salto, começa a ser compartilhada no momento em que a prefeitura da cidade decide dividir com uma organização social a dinâmica de oferecer uma maior qualidade no tratamento com um menor custo possível. A administração hospitalar envolve inúmeras tarefas, como a preocupação com dezenas de pessoas, fornecedores e empresas terceirizadas. Diante de tamanho dinamismo, cuidar da rotina de um hospital não é uma tarefa simples e qualquer propensão ao erro deve ser minimizada. No caso do Hospital Municipal "Nossa Senhora do Monte Serrat" é ainda necessário informar ao cidadão comum que a gestão se divide em três setores totalmente distintos: Pronto Socorro; AME e internações hospitalares com ou sem UTI. O centro nervoso dessa conjunção é o Pronto Socorro.

A contínua troca de organizações sociais na gestão de um hospital contribui de modo efetivo para que o serviço oferecido não seja de excelência. O fato de delegar funções a uma gestão à curto prazo, as insistentes falhas de comunicação são apenas alguns dos erros de gestão que impactam diretamente na produtividade do corpo clínico. Isso transfere para as empresas médicas a solução de problemas recorrentes da administração, muitos deles com impacto direto na qualidade de vida dos pacientes atendidos, como o fechamento de leitos pela ausência de profissionais qualificados; a falta de materiais, medicamentos e equipamentos modernos que dão suporte aos tratamentos.

Nessa forma de gestão compartilhada, dezenas que pequenas micro-empresas prestam serviços ao nosso hospital. A organização social que venceu a licitação (emergencial ou definitiva) funciona como um gestor intermediário recebendo um valor mensal da prefeitura e pagando dezenas de micro-empresas que prestam serviços para o hospital. Isso permite - ao menos em tese - que a qualidade do atendimento ao público tenha uma maior qualidade e um tratamento digno. Pelo menos, pelo valor pago mensalmente, deveria ser assim. Mas não é.

Se, de um lado, uma parcela de erros vem dos setores de enfermagem e dos centros cirúrgicos; de outro, a classe médica justifica tais falhas pela falta de mecanismos facilitadores para a resolução desses problemas. Um exemplo é a falta ou atraso de pagamentos de seus salários. É muito comum, principalmente nos hospitais públicos, esses profissionais enfrentarem jornadas de trabalho intensas e careçam de um espaço para um repouso confortável, potencializando o stress, ansiedade e cansaço. E isso pode impactar diretamente na forma em atender aos pacientes.

Se inicialmente o objetivo era a otimização de serviços com mais agilidade e maior qualidade, como limpeza, refeições e segurança, aos poucos, além desses últimos serviços, o atendimento médico profissional também passou a ser terceirizado. Atualmente setores inteiros são compostos por empresas terceirizadas que trabalham dentro de hospitais, inclusive no Pronto Atendimento e nas UTIs, setores que requerem cuidados muito específicos e uma superior qualidade nos procedimentos e equipamentos.

O que foi noticiado na última semana onde a manchete de um jornal era que "uma equipe cirúrgica se desliga do hospital", na verdade foi apenas a substituição de um prestador de serviço por outro. A equipe com 13 profissionais - como noticiado - era na verdade uma micro-empresa composta por médicos, enfermeiros e enfermeiras contratados pela antiga gestão e que prestavam serviços na UTI do hospital. Como essa, existe dezenas de outras micro-empresas que também prestam o mesmo serviço. Assim, não há e nem houve qualquer interrupção no atendimento médico público. Esse tipo de veiculação nas redes sociais cria uma grande preocupação na população.

Na verdade, a intenção de uma gestão compartilhada (não entrando no mérito se isso é bom ou ruim para a cidade) alinhada às responsabilidades inerentes dos profissionais da Saúde, é potencializar e oferecer um tratamento eficiente desde a entrada no P.S. até a pós-alta do paciente. Nas UTIs, a prestação de serviços por uma micro-empresa especializada oferece um resultado ainda mais humanizado, pois a equipe de profissionais capacitados disponibiliza uma estrutura mais moderna e focada no conforto do paciente, transmitindo maior segurança e confiança no atendimento prestado. Esse deveria ser o foco principal dos gestores da Saúde...

Se esses fizessem corretamente o que lhes compete certamente não haverá manchete nos jornais e muito menos nas redes sociais.

Segue o enterro!

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CLAUDINEY BRAVO editor adjunto do TERRATAVARES; produtor de Eventos Culturais, designer gráfico e provocador político.